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Férias escolares e os museus de São Paulo

Raquel Rolnik

17/07/2019 12h45

Três dicas imperdíveis para quem está com crianças em férias e quer inventar um programa diferente, aproveitando o que a cidade de São Paulo oferece. A primeira é a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Projetado por Ramos de Azevedo, o edifício que já abrigou o Liceu de Artes e Ofícios passou por um restauro belíssimo de Paulo Mendes da Rocha e é hoje um dos mais importantes espaços expositivos de São Paulo. A exibição Sopro, de autoria do artista plástico Ernesto Neto, tem feito o maior sucesso entre as crianças. As obras são elaboradas com materiais como meias de poliamida e esferas de isopor e técnicas como o crochê, podem ser tocadas e fazem referência tanto ao corpo humano quanto à natureza.

O passeio a Pinacoteca pode incluir uma voltinha no Jardim da Luz, o mais antigo parque da cidade. Foi inaugurado em 1825 como um Jardim Botânico em uma área de várzea sujeita a enchentes, onde depois também se instalou a Estação da Luz. Por lá é possível apreciar árvores centenárias, e algumas delas em extinção, como a cabreúva e a cambuci.

As duas outras dicas são de museus que prepararam neste mês programações especiais para as crianças. No Museu Afro Brasil, as milhares de obras que compõem uma das mais importantes coleções de arte africana e afro brasileira do país já vale a visita. Mas seu prédio, que faz parte do conjunto modernista projetado por Oscar Niemeyer dentro do Parque Ibirapuera, rende um passeio gostoso nos dias de sol do nosso frio inverno. Na próxima tarde de sexta-feira, dia 19, vai atividade por lá. E nas manhãs de 24 e 26 de julho um convite para brincadeiras e histórias do povo Bacongo, que vive na República Democrática do Congo. Confira os detalhes da programação!

Nossa última parada é o bairro do Ipiranga, mais especificamente o Museu de Zoologia da USP (Universidade de São Paulo). Apesar do nome, ele é não apenas um museu, mas também um ativo centro de ensino e pesquisa de pós-graduação. Constituído por doações do século 19, bem como espécimes catalogados nas expedições realizadas pelo interior do país ao longo de mais um século, seu acervo vai encantar as crianças fascinadas por bichos.

Antes de ocupar as atuais instalações, o prédio construído no final dos anos 1930 para abrigar o museu, com seus vitrais que remetem ao tema de zoológico, era parte do Museu Paulista, conjunto arquitetônico e urbanístico construído para celebrar a Independência do Brasil junto às margens do Ipiranga. Sob a gestão da USP, foi totalmente restaurado e reinaugurado em 2017 e tem um acervo riquíssimos de animais empalhados, fósseis e esqueletos de dinossauros. Funciona de quartas a domingos, de 10 às 17 horas, com entrada é gratuita, e as atividades para a meninada não exigem inscrição prévia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Raquel Rolnik é arquiteta e urbanista, é professora titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Foi diretora de planejamento da Secretaria Municipal de Planejamento de São Paulo(1989-92), Secretária Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades (2003-07) entre outras atividades ligadas ao setor público. De 2008 a 2014 foi relatora especial da ONU para o Direito à Moradia Adequada. Atuou como colunista de urbanismo da Rádio CBN-SP, Band News FM e Rádio Nacional, e do jornal Folha de S.Paulo, mantendo hoje coluna na Rádio USP e em sua página Raquel Rolnik. É autora, entre outros, de “A cidade e a lei: legislação, política urbana e territórios na cidade de São Paulo” (Studio Nobel, 1997), “Guerra dos lugares: a colonização da terra e da moradia na era das finanças (Boitempo, 2016) e “Territórios em Conflito - São Paulo: espaço, história e política” (Editora três estrelas, 2017).